Numa época em que nem as grandes divas tem um #1 garantido, qual seria o sentido desse status?



Os últimos dias no mundo da música foram marcados por uma raivosa Nicki Minaj que disparou sua metralhadora de sinceridade como forma de protesto por não alcançar o #1 na parada de álbuns da renomada revista Billboard dos EUA com seu atual trabalho, o “Queen”. Enquanto muitos se propõem a discutir se ela está certa ou errada, poucos olham para o que mais importa em toda essa história: afinal de contas, hoje em dia, um #1 te torna automaticamente um sucesso? E não alcançá-lo, te torna um fracasso?

Em uma das suas declarações, Nicki deixa bem claro sua insatisfação com as regras de contabilização estipuladas pela Billboard e exige que elas sejam revistas. Numa indústria que tenta se adequar cada dia mais à era digital e com o enfraquecimento das mídias físicas, a revista vem tentando se adaptar de diversas maneiras, contando os streamings acumulados como vendagem de CDs, contando o impacto de videoclipes na divulgação de uma música, entre outras. Acontece que, por mais que se criem regras matemáticas e algoritmos, seria mesmo a revista ou qualquer outra parada musical capaz de mensurar o sucesso de um artista na era digital e com todos os aspectos que isso representa?



Vejamos o exemplo da cantora Beyoncé. Muito se tem discutido sobre isso e os haters da cantora veem o fato do último single solo da cantora a alcançar o dito #1 ser a canção “Single Ladies (Put a Ring On It)” de 2008 como argumento para taxa-la como flopada. Naquele ano a música foi #1 durante 4 semanas, talvez um número muito aquém para uma música que teve seu videoclipe visto e reproduzido milhares de vezes naquele ano e isso sequer foi levado em consideração para mensurar o sucesso da música. Ainda hoje, por mais que tenham sido feitas mudanças, a forma como a música impacta os fãs, os covers, vídeos de dança e até mesmo relação popular é deixado de lado para contabilizar apenas streamings, que podem inclusive surgir incentivados pela inserção das músicas em uma playlist, mais uma reclamação de nossa sincera Nicki.



A história mais recente da música, contada sobre a perspectiva dos charts mundiais, evidencia seus reais problemas quando observamos músicas que atingiram o desejado #1 ao lado de outras que não tiveram essa sorte. “Thriller” de Michael Jackson, “Beautiful” de Christina Aguilera, “Run The World (Girls)” de Beyoncé, “Bad Romance” de Lady Gaga. “Down” de Jay Sean, “OMG” de Usher, “Temperature” de Sean Paul, “Cheerleader” de Omi. Na primeira sequência temos músicas que não alcançaram o #1 e mesmo assim já podem ser consideradas hits atemporais. Na segunda sequência temos músicas que alcançaram o êxito temporário do #1, mas que dificilmente serão lembradas com longevidade. E temos aqui a melhor definição para o tão sonhado #1: êxito temporário.

A indústria tem sofrido duras penas por aceitar tardiamente o sucesso das mídias digitais e um sacrifício enorme tem sido feito para que esse ambiente seja consolidado, mas infelizmente, numa guerra em que muitos esqueceram o sentido da música e a transformaram em competição, o #1 pode ser um troféu para se vangloriar, mas dificilmente será o sustento para uma carreira. Por isso, Nicki e todos os outros artistas que se veem injustiçados por números que NUNCA vão ser retrato fiel do sucesso, continuem sua jornada, seja com  #1 na Billboard ou #1 em Chernobyl, porque a música nunca foi uma ciência exata pra ser tratada com números apenas.